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NA RUA EM QUE TE VI Manhãs de hortelã o tempo acorda verdinho a cor de um carinho guardado no bolso de um jeans antigo no vapor do chá as nuvens do pensamento se dissolvem há um mantra novo no coração da casa no corpo que é asa e ninho Tudo faz sentido mesmo sem saber o sentido a seguir nada contido tudo é fluir uma canção diz   " pra sempre será" e eu não duvido desse agora infinito tudo cabe no segundo que espera pela fresta da janela o horizonte e o sol nascendo no meu peito pra se pôr nesse mar de amor que transbordou na rua em que te vi.... . (Rai Blue) https://soundcloud.com/raiblue-sales/na-rua-em-que-te-vi
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Há uma ilha ancorada em minha pele um vento que sopra entre os pelos uma saudade apelos de mar contornando a carne um cheiro que arrebenta (n)a minha paz quem diz que tudo que do corpo vem é fugaz não sabe do que o corpo cala na calada de uma noite que não passa na cor da minha boca lilás é vicio é viço é sumo de prazer é sumiço da razão amor tatuado nos poros abertos para o mundo Bach um prelúdio imortal quando num outro corpo orquestra é festa é reza   ritual... (RaiBlue, em 24.04.2014, Salvador-Ba) tag Marcar foto
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Pássaros  No pulso   Impulso Estou sempre por um voo Origamis de amor Orgasmos multicor Prisma Passeiam as cores em teus olhos Paisagens Poros Minhas asas fazendo ninho em teus pelos (Re)pouso E voo Coração barroco O corpo? Um quadro de Brooke Shaden Um abismo rouco & Um salto para o jardim de Monet . (Rai Blue) 4 Lorena Santos, Mara Clara Pepe e outras 2 pessoas 2 comentários Curtir Mostrar mais reações Comentar Compartilhar Comentários
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Vem dilapidar o que em mim é perfeição quero rasgar meu corpo com teus dentes dinamitar meu cérebro   em pedaços incandescentes de descaminhos e enlouquecida tragar a substância que evapora de tuas mãos em minha carne quero do amor o lírico travestido da indecência a onipresença de um deus que vive em meu ventre para a salvação do teu mundo quero os absurdos amarelos do fogo morreremos quentes a gozar do futuro a gozar no futuro que explode em mil centelhas de agora. (Rai Blue) Art by Jorge Gouvea.

RAÍZES FORTES

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Na dúvida ficava úmida tudo se resolve quando se pode  es correr líquida a vida não pode ser frígida é permeável a qualquer toque como eu como eu antes que ela me coma antes que em coma eu seque porque árida é a morte suplicando chuva lágrima: a única umidade sobre a lápide por isso quero raízes fortes retendo o orvalho para que durem as repentinas primaveras beberei água aos goles para lubrificar o tempo a vida que escorre entre os dedos ( toda noite molhados de algum nome ). . (RaiBlue)

AMARELOS MELANCÓLICOS

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Às vezes a vida tem gosto de ayahuasca às vezes, cachaça a substância é a mesma alucinação e ressaca o corpo só quer esquecer do corpo abandonar essa casa   de aconchegante tédio de amarelos melancólicos   pelos cantos e ser o canto suave de alguma ave feliz por ser nômade (enquanto um gato observa do muro da realidade o seu voo sobre os andes do seu infinito) alcoólico o olhar neruda uma canção que molha o silêncio montanhoso eis a trilha (sonora) do coração que bate fora do corpo. . (Rai Blue) * Imagem: Rafal Olbinski.

DESJEJUM

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Semana santa e eu insana  já bebi todo o vinho de sua boca uma ceia farta em meus seios rosados te ofereci como hóstia na comunhão de nossos pecados rasgados no dente porque queria sangrar a carne e comê-la assim mal passada cru o desejo é aguardente queria que queimasse descesse assim a vida   quente & sem nenhum deus sem nenhum adeus depois do ato e após o ápice do grande espetáculo fosse o meu gosto em tua boca o teu salmo o teu álamo de amor   forrando o sábado (de aleluias dos orgasmos explodindo no céu do meu ventre) e a lei de nossos corpos   uma ecumênica liturgia de ressurreição. . (Rai Blue)

SELVAGENS VERMELHOS

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. Guarita dentro da relva no ventre nu repousa teu selvagem cavalo enquanto a noite pélvica contrai devagar a maciez dos campos vaginais massageia o teu bicho que dormia te alicio me alisas a mucosa esquenta tinta e rosè e então cavalgamos  até o amanhecer o róseo escuro e úmido   dos campos de centelhas pingamos fogo queimamos a relva e o dia desperta com um rio nos arrastando pra longe a terra treme tácita e nômade e orquídeas eretas brotam dos morros e seus (an)seios ejaculando selvagens vermelhos. . (RaiBlue) Imagem: Brooke Shaden.

DESAPEGO

. Cada vez mais budista me desfaço do desejo  (de não te querer). . (RaiBlue)

QUANDO SE PERDE NO AZUL

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Qual a cor desse ruído tingindo o silêncio de memórias tingindo a memória do silêncio que havia se esquecido de lembrar? O que fazer com tantas cores quando os olhos daltônicos do tempo vendam os sonhos tintos que escorrem no rosto anêmico da desesperança? Mas ainda resta uma vontade cega  de encontrar o azul do que não se acaba do que não se apaga nem com cachaça nem pelo branco dos cabelos tingidos pelo tempo que nunca se esquece de marcar o tempo o tempo que só se atrasa quando se perde no azul. . Rai Blue

NÁUTICO SUSSURRO

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. Tens o membro da palavra quando me penetras ejaculas rimas pélvicas nos becos de minha baixada grafitas um poema molhado na parede uterina do poema enquanto grito teu nome nas entrelinhas tu me alinhas ao teu ereto condado e eu me retraio me traio atraio a lua em pleno dia tu és o sol do meu luau decorado de poesia re(x)citada sem pausa cem espasmos por palavra entre tuas mãos meu sussurro náutico o verso final boiando em nossas águas em nossa (c)alma  a cama agora é um mar sem onda uma canção pra ninar nossos pássaros. . (RaiBlue)

LÍQUIDA

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Escavava o chão desse sertão que sou Só pra beber algum gota de vida  E me salvar de morrer sedenta De ser coisa ida sem importar cheganças Queria ser água que brota apenas mansa E correr menina sem saber contar ainda Senão da beira que a sustenta e nina Berço do teu sonho de liberdade E assim líquida quebraria a pedra E me faria caminho curvoso (sem a reta castidade) Um barco silencioso: casa quieta Fincaria o tempo na impermanência No que em mim está sempre escorrendo Para sempre agora sendo. . (Rai Blue) . * Imagem: Jialu DevianArt

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Olhos que são favos de mel doçura (c)alma,mantraimagem te pronuncio no arco(da)íris. . (RaiBlue)

TUA PASÁRGADA

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. Vou ilhar em teu Pacífico Esquentar tuas águas silenciosas Com o meu corpo em prosa  E a poesia dos meus abismos Navegar é tão impreciso Pro meu barco feito de papel (laminado)  Me corto a cada onda quando não estou contigo Com um verso de Ginsberg entre a proa e o vento Os dias sem teu mar morrem antes de nascer Abortam o barco que chegaria nas areias alvas Que roubei do tempo pra eternizar-me tua pasárgada Vem ser meu idílio e meu etílico silêncio depois do amor Rouba-me a sensatez e me embriaga  Traga em teu corpo todo mar de Sophia como estrada.  . (Rai Blue) . * Imagem: Brooke Shaden.

SILÊNCIO FARPADO

Não havia nenhum disk socorro incomunicável teu corpo era um chip descartável bloqueado baqueado um sistema que não engrenava gangrenas por todo lado a pele queria ser trocada qualquer coisa alada  emergia do estrago preso havia um pássaro dentro daquele silêncio farpado entre os arames ainda havia ar ames então - eu dizia mesmo que doa teu pulmão o amor haveria de vencer as grades mesmo que depois morresse de hemorragia. . (RaiBlue)

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O que é o tempo quando a ampulheta vira sobre a cama que vira praia areia infinito? . (RaiBlue)

ORIGAMIS DE EUTEAMOS

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Eu arrancaria minha lua em peixes  pra enfeitar teu fundo de céu e me juntar ao teu sol em capricórnio com meus sonhos lumiados e o meu mar pisciano mudaria meus planos de ser tão água pisaria em tua terra alada como em um ninho feito de heras que se enraízam no peito e se enrolam entre as pernas e crescem nas bocas nas línguas que se reconhecem nas palavras que orbitam a distância e dançam em nossa carne cigana seus olhos são miçangas de noite enfeitando o céu do meu pensamento pássaros mergulham no silêncio só pra te encontrar nos batimentos cardíacos do teu primeiro voo de renascimento - (trans)bordo com origamis de euteamos o meio da noite recebo teu sol de corpo inteiro. . (Rai Blue)

FEITIÇO

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Tu tens a trama premeditada que eu adivinho no que me olhas é pura malícia quando me invade paralisando meu despreparo usa de encanto enquanto me prostras a estar entregue à tua pilhagem é nesse feitiço que eu reconheço se assim foi desde o começo se agora me expõe ao meio e de em diante, não tem mais fim. . (Nico Leite) . *Presente lindo do meu  amado amigo Nico Leite. 

NOS BECOS COM BACO

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O corpo essa muda que muda o tempo todo não se afaste tanto  quando vier já serei outro a cama é a mesma mas a dama não está mais presa ao fantasma que algemava suas mãos (desaprendeu que dor é gozo) não sou mais o rosto do seu porta-retrato sou um nu artístico exposto como um ato político um grito um íntimo sussurro no meio da tarde sou qualquer coisa que invade vadia poesia perambulando nua por toda rua de sinais abertos quero meu verso nas bocas traficado trancafiado (em outra língua) vendo fiado meu poema  (concreto) hoje eu quero escrever a quatro mãos nos becos com Baco e o meu sapato vermelho (pisando em você). . (RaiBlue) . Art by: Vania Yanusic