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Você de Colombina menina, purpurina água benta da minha sede alfazema, confete eu, gandhy, espalho a paz espraio-me na Avenida e em tua cama repouso  Vadinho, colares, Pierrô ... assim repousam personagens e desejos incontidos no teu tapete, verso persa repousa a tua  e a minha fantasia. (Sérgio Bezerra)  ****** Dos personagens das vadiagens do teu corpo em minhas miragens ficam as contas em cada canto da casa como um rio raso que atravesso sem barco um patuá pra me proteger de te esquecer... nua Colombina na purpurina da noite bebe-me quente e das minhas águas benditas terás cachaça puríssima que te fará rodar mais que minha saia e por baixo dela quando o samba das nossas pernas se esfregando fizer jorrar confetes num gozo colorido Eis o nosso grito de carnaval!. E depois...? Gandhi e a paz de um verso que dorme no silêncio que (a)guarda a fantasia que só nós dois vestimos... (RaiBlue)

Diálogos de vadiagens...

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A miragem está nas ruas Ventos sopram rubros cabelos Os ventres entoam cânticos e sátiros-exu anunciam minha chegada Esse amor-fantasia entrudo Disfarça tua face triste Colombina, baiana, Menina  (não de engenho) Dona Flor sem Vadinho Danadinha flor aberta em úmida cama Sacana me ama e engana meus lábios Mas se dana quando me vê, olho-esmeralda Sei lá o que perpassa tua alma Só sei que ela se agita se enrosca se acalma Quando a lua alta vem. mostrar (Sérgio Bezerra) E lá vem ele com seu ( tri) dente A rasgar-me a carne e a madrugada Serão meus rubros cabelos Seduzindo os ventos e acertando em cheio O seu coração altaneiro? Ou será escravo dos ventres que carregam o mar Seu habitat natural onde sempre quer morar? Ah, sátiros-exu ! Querem me enlouquecer! Trazem o homem que eu desejo E por uma noite sou Flor sua rainha Pra depois nenhum quebranto Tirá-lo do meu corpo e d'alma minha Será mesmo que esse amor-fantasia Disfarça minha tristeza e o meu segredo? Ou...
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Primeiro me comeu com os dedos Enquanto a boca me beijava Depois me comeu com a boca Enquanto os dedos eu chupava Canibal eu me provava Nos dedos dele Eu f(u)lu(d)ida E gozava ainda Sua boca se lambuzava toda Enquanto a minha salivava louca O seu leit(o)e de rio doce Que se acumulava... E de repente a explosão Da sua represa em meu vulcão A boca lambia a lava que se espraiava Na praia do meu corpo...arrebentação! (RaiBlue)

Nua(r) (de)dentro das palavras...

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O tutano de minhas palavras  Vem de tuas vértebras Coladas às minhas. Suor.Caldo quente de volúpia.  O osso. As bocas sugam o sumo. Supra. Sutra. Cítrico mantra de tua língua No dorso da pele nua da minha. O curso sem bússola do rio Sonoros ais cachoeira adentro. Ar dentro das águas Bolhas. Palavras transpiram caladas Na (es)calada do teu corpo. Norte ? Apenas noite. (RaiBlue)

Maré

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O feeling do mar nos olhos O sal dos corpos-navegantes [procissão dos nossos recomeços] O sol ainda escondido Na última noite Que paralisou o relógio [ a parede cedeu à arrebentação de azuis vertiginosos] O tempo contado Pelos múltiplos orgasmos De barcos náufragos [penínsulas emergindo dos lençóis de sal]     Cortejo de línguas perfumando o silêncio da pele                          E o arrepio é um gemido nativo da carne                       Como sair desse quarto [crescente] Se tudo lá fora é frio que fere? E eu faro em febre Só quero que teu cheiro Meu sexo queime Em néon a lua acende o infinito Sem margem em teu corpo vazo e encho... (RaiBlue)
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Por entre os fios dos meus cabelos bagunçados, teus olhos me devoram, numa vontade apertada, nesse instante miúdo e imenso...E o fogo que dilata tua pupila afaga e inflama as ondas que lançam  um corpo dentro do outro, como dois barcos remendando as pontas do mar... Quando  escalas as montanhas do meu corpo,  a terra se perde  de vista... e tudo vira canção...o pensamento  se perde entre as notas agudas da nossa respiração e tudo é um solfejo de luz , uma sinfonia que cala o impossível e extrai acordes secretos do silêncio que amordaçava nossas bocas...libertamos as palavras de suas máscaras ...e elas ,bacantes, dançam, gritam, gemem, gozam, roçando nossos corpos como quem conhece bem nossos segredos e os deslizes  dos sentimentos quando tocados pela surpresa do desejo indomável  de voar...E os corações, tambores ancestrais, se reconhecem como se já se soubessem amantes...como uma música que atravessa o tempo  e nunca dorme... O amor ...

GAZA DAS MINHAS GUERRAS

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O perfume é um eco da tua carne No silêncio da minha Há fome no cheiro Vontade de morder o tempo Até sangrar a pele das horas [os pelos no lençol da noite que não dorme] Abortar os dias e voltar ao que nunca morreu   [canibal a saudade me come no meio da rua tocaia acesa meu afluente em febre] Não estar [sendo] dói Ainda que a dor goze [de] em mim De vez em quando E eu até goste... Um tédio esse Tejo que corre na distância Gaza das minhas guerras Sádico rio do amor [é quase um Sena a cena do meu gozo acenando na esquina do escuro que nunca finda] Miragem suicida Sua lã_mina entre os lábios Corta-me as estrelas Não tece o céu que sonhei ... E a boca ainda úmida de lume [rastros das luas que gozei] A_dor_mece com teu nome na saliva... (RaiBlue)

UM NU OUTRO...

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Arranquei os ponteiros do tempo Quando entrastes em mim Num poema que matava o amor [ou o amor matava o poema?] Lembras? As palavras sangravam a noite imensa Singravam ao teu coração-saveiro Acendia um cigarro no maço intragável das horas [Do outro lado teus olhos acesos Infl_amáveis mares] Foice! E foi-se o silêncio corrosivo dos dias No marulho de tua veia so_lar E nunca mais quis outra casa Em tuas ondas sou toda alto-mar! Lírios e sândalos A_cor_davam a pele nua do vento... Tu me salvavas de mim E eu te prendia em meu silício-cor-de-céu [ bebias cálices de meu uni_verso como quem bebia meu corpo submerso] Eloqüente vontade de morrer Um nu outro Ninguém via Só nós dois caminho... (RaiBlue)                                            ...

Pornôssoneto I

Em mares sempre dantes navegados bolinando naus e bocetas de tabaco bebendo vinho, erguendo meu taco estarei guapo marujo embriagado salvando com a lanterna dos afogados as sereias e damas com seus rendados acochando-as nuas em pleno mar entesourando-lhes de pernas para o ar enfiarei meu gládio nas suas entranhas como singra minha quilha as entranhas do mar e altaneira e bela será testemunha lua cheia, plena e tranquila de manhas. prateada, tão bela, alva senhora em doce luar e gozo e te arranho toda à unha... (Sérgio Bezerra)

Pornôssoneto II

 Vontade minha você todo Pagãs as noites teu corpo Rola(s) no centro do mundo Boceta engole fundo [ faz fogo!] Mar pleno tua língua dentro Umidade toda a fenda a foda! Afogo-te no escuro pinto e bordo Na lã terna da minha pele! Sereia seria se não fosse Sade Na cabeceira da mente pervertida Te acocho nas ruas nos becos sem saída Testemunha a lua acende o mar Que singra do teu ao meu sexo Arranha-me o céu que te gozo inferno! (RaiBlue)
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"...onde o fim da tarde é lilás, onde o mar arrebenta em mim um lamento de tantos ais..." Foi uma tarde que se derramava pelas margens do tempo e fundia azuis de fora e de dentro. Nós, navegantes das ondas sonoras do corpo e da cidade extraviada do caos cotidiano. Não havia maquiagem, a face das esquinas e suas meninas era algo que continuava exalando um cheiro ‘gregoriano’ e rasgava a sonolência da vida pacata demais, mas tudo ardia naquele instante tão grande derrapando entre igrejas, curvas e ladeiras , e tudo cabia ali , uma imensa tela abstrata, onde podíamos pintar o mundo, pendurando uma rede sobre a dor que atravessava os pés do humano sobrevivente. E, então, os olhos se enchiam de um espanto cheio de purpurina, diante daquela baía que já não era mais só de todos os santos, era nossa, era o nosso sangue na oferenda da tarde ao eterno anoitecer, que já tingia o céu, desenhando uma lua que cortava a noite em retalhos de sonhos costurados no cetim das estrelas, como ...
I O tempo desbotado Na lente embaçada do olho Na pele a casca enrugada da vida A casa demolida do corpo   II A  noite me corta foice afiada funda na aorta III Uma manhã Na cordilheira do teu corpo Depois Um ant_ártico  silêncio... IV  Vista-me com a pele Da tua língua E despirei tua poesia Ao dente... (RaiBlue)
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Dançemos no Paço afiados no aço da língua que nas bocas do corpo e da noite vibra! no laço lasso do meu abraço há um barco sem salva-vidas nesse mar de mim só há ida Não há como voltar só há voltas (e volts!) que contornas em cada ato... Co_metas na relva lúbrica melaço dis_sol_vendo aço em mel... amasso há março nessas águas fecharão o verão?
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Computa a dor em bytes de memória o sistema for_mata a vida o vírus do tempo vence o homem (alzheimer) no desmatamento da nossa história sobrará uma árvore ( de Natal )? (não escaneada) um sorriso que não seja photoshop mas de chopp num fim de tarde onde a vida arde (àvida) numa tela natural da baía de todos os santos...? (ou deletará até as crenças o disco rígido do sistema?) (RaiBlue)

Inverão...

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...enquanto chovo fertilizo a melancolia que paira sob o sol dos meus olhos a estação indefinida (inverão) como eu parada na estação que só eu escuto e que nenhum trem chega minha viagem é por dentro interiores de riachos e pés desacalçando a vida me tranco na íris da memória onde me salvo da cegueira de ser pó(s) moderno me interno no meu silêncio aldeias virgens o verde ainda é possível no meu olho nu e eu contrario Drummond contra rio e vou extraio rios entre as pedras do caminho... (RaiBlue)

Fênix rasgando seio-aberto...

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Teus olhos: ruas e desvios fugas fios fusíveis so(l) brados rede e balanço passeio cela ceia cio silêncio de tarde finda mar afundando na neblina amasso de corpos fumaça e a noite chega fugitiva e molhada fênix rasgando seio-aberto Hendrix dedilhando estrelas (minha boca) jazz sobre o blues das esquinas do Carmo e o meu blue céu de dezembro é quase uma pintura refletida nas águas do corpo miragem tatuada eu tua soul plasma asma falta-me ar... (RaiBlue)
Adagas Ou adegas? Digas como preferes Cortar a dor... (RaiBlue)
Como se a gente conseguisse controlar o fogo, quando a carne é pura brasa...Foi só um carnaval que passou...A fantasia cabia bem no corpo, no copo...A imaginação sempre foi mais quente do que a realidade...Sim, houve um prenúncio de qualquer coisa...mas o vôo foi muito mais meu com essa mania de ser pássaro...e fazer ninho por todo (en)canto...Não sei se foi coisa de poetas(fingindo ‘sentir’ ou ‘não sentir’) ...Ou uma coisa que fazia a cicatriz de outrora reviver...como que um aviso...e nem o vinho permitiu a viagem...mesmo assim, aconteceu uma cumplicidade de silêncios que contava-nos como éramos parecidos , muito além do signo:nos medos, nos vícios, nas dúvidas, nos tormentos...e nessa tristeza grudado atrás dos dentes, amarelando o sorriso... Não poderia ter sido porque não era...Talvez, por um segundo perdido naquele fim de tarde em que nossos olhos se tocavam sob o céu forrado de palmeiras(nossa primeira foto), fosse... Sem pensar, talvez sentíssemos....mas poeta é bicho doid...

Há um Iraque no umbigo dos estados desunidos

Cortar os pulsos do tempo Explodir o relógio da história Big-bang manchando o céu O C(i)elo de Deus dantesco chora A porta do inferno é aqui e agora Há um Iraque no umbigo Dos estados desunidos Um míssil no olho Dos deuses de carne e osso E um evangelho da Matrix Guiando o silêncio da língua Amputada do bicho-homem Morder a vida é o que lhe resta Arrancar a pele dessa desordem Cuspir suas farpas e penetrar seu útero E num átimo de luz no escuro da alma Jorrar o sêmen de um novo mundo Fertilizar o absurdo como salvação! RaiBlue
Alquímica Pele na pele Fogo! Empíricas As bocas (se) Experimentam Menta Mantra Tântrica! A língua Serpen_teia O corpo Templo do verbo Que se faz carne! Expelidos versos Prozac_amam  E quase se curam Quando loucos e socráticos Sabem que nada sabem Como mentem Se verdade é uma invenção de_ mente Enquanto a alma se estende Entre e(x)s_feras e  faros Falanges  e esfinges...?  (RaiBlue)