Wednesday, June 29, 2016

RUAS CARDÍACAS



Nessa hora quando todos dormem
Atravessa-me um mar de peixes tristes
 
Uma ternura congelada
No fundo das águas do tempo
Pedra talhada pelas ondas de sentimento
Quebrando nos muros do peito

Tudo resiste
O coração as artérias o entupimento
O esgoto
O gosto

O rosto e sua superfície
Cada vez mais áspera
Carregando a vida nas rugas
Nas rusgas que crescem em silêncio

A noite é um mar inconsolável
Que quebra (n)as paredes do peito

E não há jeito
De não naufragar em si mesmo

Tempo instável

O coração é uma embarcação
Sem bússola
Sem ursa maior
Sem nó

Um sol menor da sinfonia
Que rege a poesia da escuridão

Tudo é vão e tanto
Tantos vão(s)
(e não voltam)

Vazias as ruas cardíacas nessa hora

A chuva dos olhos molha
Suas árticas calçadas
( onde pede abrigo
morrendo de frio
a memória).
.

(RaiBlue)
.

Pintura da japonesa: Miho Hirano

2 comments:

Alexandre Durden said...

Belo texto!! aguardo mais!!

Felippe Macedo said...

belo.*