Thursday, April 23, 2009

(Sal)dade...


Havíamos marcado um encontro para uma madrugada chuvosa, porque queríamos dançar na chuva, como naquele filme ,‘ Singing In The Rain’! A canção seria composta pelos olhos e mãos...

E foi exatamente assim que aconteceu, tudo conspira a favor dos amantes...

Adentrei seu quarto azul pela janela, um vento suave soprando as cortinas amarelas... rocei sua pele delicadamente, como uma serpente, até ele arrepiar...Ele, que estava de bruços, virou-se, e, ao primeiro contato de nossas retinas, o fogo acendeu o quarto escuro.Lampiões acesos nos corredores da mente...abrindo os caminhos invisíveis...

Não conseguimos nos desgrudar. Ele se entregou ao meu domínio e voamos colados, de corpo e alma, até a praia do prazer...

Seus olhos eram faróis no meio da chuva... luz molhada cintilando tudo em mim.

O silêncio da madrugada amplificava as batidas do nosso coração... era o tambor de um amor ecoando do fundo das almas, no fundo das águas...

Caminhávamos de mãos dadas, sentindo a textura, o calor que atravessava os dedos
entrelaçados, e era como se todo o corpo tivesse abraçando o outro...

De repente, uma música, ao longe, aproximou nossos corpos. Suas mãos me falavam coisas que escorregavam pela cintura..., as pernas tremiam e tudo ao redor girava. Estávamos no carrossel do desejo, conduzidos por um amor que parecia anterior a nós mesmos.

Em seu ouvido, a minha boca ensaiava uma palavra que não saía..., mas ele sentia a quentura da minha respiração...O barulho da chuva junto ao som do violão, que vinha de uma janela aberta, numa esquina próxima à praia, conduziam a nossa dança...Suas mãos criavam as melodias mais ardentes..., as ondas vinham no ritmo dos seus dedos...Ele cheirava meus cabelos como quem inspirava o mar...a maresia... eu era sua praia...ele, o meu segredo no fundo do mar, que durante esta madrugada chuvosa veio à superfície e jorrou em minhas areias...

Quando seu rosto colou no meu, reconheci seu hálito, seu cheiro de algum lugar que não lembro, mas desse cheiro e textura eu já sabia, magicamente já sabia, e me arrepiaram como um surpreendente reencontro...

Quando nossos lábios deslizaram e se tocaram...a chuva parou como um encanto,estávamos molhados por dentro...

Acordei com lágrimas nos olhos...e o sal espalhado no lençol...

Cristais de suor e (sal) dade...

(Raiblue)



Encontro marcado e cumprido, querido Jéfte.

2 comments:

Cristiano Melo said...

Blue,
Poema bem característico de suas entregas inspiradoras. Belo encontro de pessoas em sintonia. As cores azul e amarelo me trouxeram Sal(dades)...rs
Beijos minha querida.
Cris

Jéfte Sinistro said...

O mais belo dos encontros... Sentimentos que se encontram. Ora rio a desembocar no mar, ora mar a tomar o rio... "Saborosa sensação..." rs. Como sempre, me deixas sem fôlego com tuas palavras sensivelmente bordadas sobre o fundo azul de teu uni[verso] de[lira]nte...!