Friday, January 20, 2012

...



De argila a vida esculpida
Por tuas mãos nas minhas terras
Aquarela-quimera-alquímica
No colorido das minhas esquinas
Quitandas, quermesses, quimbanda   
Ciranda êêê ciranda ááá

Vem pro meu canavial
Extrai meu álcool natural
Alecrim dourado no meu corpo perfumado
Arlequim do meu carnaval
Bem-me-quer ,vem me dizer
Guardei a margarida pra você

Vem beber o mar
Na minha pele há Itapoãs
Pra todas as tardes de janeiro
Espera as águas de março chegar
Se aquecendo no meu sol
Deixa o sal conservar a carne fresca

É doce morrer nesse mar
É dose viver sem amar

Amar no mar
Há mar no amar...

(RaiBlue)

...

 
O que desejo é luz [de velas]
Caravelas con[fundindo] o azul
Janelas amarelas sorrindo pro sol
Sal do corpo temperando a manhã
Silêncio solar sussurrando calor
Cio das ondas
Mar penetrando rio
E o gozo macio
Da vida jorrando vadia
Pelos poros do dia...

(RaiBlue)

Monday, January 09, 2012



De azul eu pinto a seda deste dia pleno
Você meu primeiro trago
Meu zên(ite) e meu barato
Algazarra de ventos a soprar dezembro...

Nalgum lugar do tempo das ondas
Meu porto (inseguro) te espera
Tua praia se espraia em minhas terras
Em nosso silêncio sussurram conchas

Angra
Miçangas
O tambor do Pelô
Na batida do teu samba

Bamba
A corda do tempo balança
Acorda menino do Rio
Que a vida é pura correnteza

Calejados os pés
Dos erros das retas
Tropeçam nas curvas do destino
Arrancam da pedra o caminho

E vão
Não em vão
Cosendo as pontas do (a) mar
Rede tecida devagarzinho
No linho que juntou
As linhas de nossas mãos...



RaiBlue, em 18 de dezembro de 2011,
às 00:40h


(Para Sam..., amor meu...)

...




Aceso o acesso
até cessar a noite
que vem dos teus olhos
meteoros turbulentos
horus do meu templo
vento soprando velas
fogos de artifício
céus de dezembro
os corpos a(s)cendendo
dois mil e doses desse ab_sinto
embriagando as horas
ala(r)gando o momento
que bebes na taça
abaixo do meu  umbigo...

(RaiBlue)

...





Inflável sentimento
Nas asas bêbadas de um sonho
Perdendo altitude na longitude de nós...
O nó se desfazendo na queda
O quarto dos infernos à minha espera
Falanges de enganos
O diabo arrotando vitória
Como não vi a cratera de suas palavras
No meu estômago?
Como não vi que a lava não vinha da carne?
Uma viagem insólita pra lugar nenhum
(e eu sonhando um horizonte nu )
A vertigem do nada me toma
Nenhum prozac pra minha prosa
Quero as palavras no mais escuro de mim
Tudo (i)mu(n)do
Nada muda no mundo
O amor é uma faca em carmim...

(RaiBlue)

Saturday, December 10, 2011

Perímetro...




Para cada centímetro do meu corpo
Teu olho em torno
Métrica das noites perfeitas
Minhas tetas
Tietês pra tua sede
Que não cede...

(RaiBlue)

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Encantos
Há canto
Em cada canto do teu ser
Amanhecer de pássaros
No ninho da cama
Na trama do dia
Voo-vício-ventania
Murmura o tempo
No templo do mistério
Etéreo som da vida
Estéreo sussurro do amor
Na concha do teu corpo
Sob a colcha encobrindo o mar...
E minhas coxas trêmulas
Recifes de corais para tuas ondas...

(RaiBlue)

Wednesday, November 16, 2011

Fim de tarde...e nada é tarde...

 
 
A tarde lambe suave
A boca da noite
Excita o vento
Que roça a paisagem
E tudo cora
Nessa hora em que tudo arde
No rosa-lilás da pele nua
Da noite que se abre...
E o céu avermelha
E o mar incendeia
Quando o sol penetra o horizonte
E o gozo se expande
Nas águas
Nos olhos
Nas constelações da carne
Nas rezas dos amantes...

Nada antes
Tudo o instante...
(RaiBlue)

Monday, October 24, 2011

Ser esta praia deserta
no lampejo da noite
a acender o céu do sonho
que suponho
ser hoje só pra você...

(RaiBlue)

Thursday, August 25, 2011

Estrangeiro

Reverbera no silêncio meu grito
Ninguém ouve a alma
Na minha calma passeiam escorpiões  

A veia aberta pro mundo
A revolução no pulso que sangra
A ânsia que não dorme

Um estranho no ninho ( que não protege)
Hoje rasgo máscaras
Amanhã visto personagens

Entre a farsa e a faca
O sangue que não estanca
A fera enclausurada
 Na falta de identidade

E a fome louca devorando as grades...

(RaiBlue)

Wednesday, August 17, 2011

Por que me quer caos
Se posso ser cais?
Por que não me doma
e me toma
até a embriaguês da razão...?
E  então
seremos só sentidos
sem direção...

(RaiBlue)
Infecun_Dante
Inv(f)erno
Desbordando
Meu céu bluezen
Onde está a porta 
Pra outra estação?

(RaiBlue)
Flor_esta
Flô_resta
Nesta relva
Um Amazonas inteiro
Me atravessa
No avesso das águas
Um céu escarlate
Onde flu(i)_tua 
Alma e carne...

(RaiBlue)
A teia desse diálogo
Tece um poema
Você a rima
E eu o verso livre
Amor desses de Shakespeare
Hoje eu só queria
A lou_cura de Bukowski
E me embriagar de vida
Mesmo sabendo que em excesso 
Mata...

(RaiBlue)
E o dia nascendo assim
Você aqui
(dentro de mim)
Vinho pra minha palavra
Duplamente gozada
Di(a)gitadas
E trans_piradas
Na pele nua dessa noite 
Que não passa...

(RaiBlue)